Terapia da Fala ao Domicílio

Ao longo dos anos de experiência da Estímulopraxis, foram surgindo necessidades específicas de apoio à família, às quais  procuramos dar uma resposta adequada. No início do ano letivo, para colmatar estas necessidades, iniciamos um projeto de Terapia da Fala ao domicílio.

O Terapeuta da Fala é o profissional responsável pela prevenção, avaliação e intervenção nas perturbações da comunicação, abrangendo a compreensão e expressão da linguagem oral e escrita e também outras formas de comunicação não verbal. Intervém, ainda, ao nível da sucção, mastigação e deglutição (APTF, 2017). O Terapeuta da Fala avalia e intervém em indivíduos de todas as idades, desde recém-nascidos a idosos, tendo como objetivo geral otimizar as capacidades de comunicação e/ou deglutição do indivíduo, melhorando, assim, a sua qualidade de vida (ASHA, 2007).

Áreas de Atuação:

- COMUNICAÇÃO – Doenças degenerativas, autismo e alguns síndromes podem condicionar a comunicação da criança, impossibilitando o uso da fala e/ou linguagem escrita para comunicar. O Terapeuta da Fala intervém adequando e instalando um sistema aumentativo e/ou alternativo à comunicação.

- LINGUAGEM ORAL – A linguagem oral compreende a componente expressiva e compreensiva e é composta por 4 elementos linguísticos: a semântica (reconhecimento, significado e relação entre as palavras), a morfossintaxe (conhecimento implícito das regras sintáticas e morfológicas necessárias para a construção de frases gramaticais), a fonológica (reconhecimento dos sons da fala) e a pragmática (capacidade de adequação da linguagem ao contexto). As alterações da linguagem oral podem ocorrer durante o desenvolvimento da criança. O Terapeuta da Fala intervém na aquisição ou reabilitação da linguagem oral, avaliando a(s) componente(s) afetada(s) e as áreas linguísticas comprometidas.

- LINGUAGEM ESCRITA – A linguagem escrita pressupõe uma aprendizagem explícita dos grafemas que convertem a linguagem oral em linguagem escrita. O Terapeuta da Fala intervém nos casos de dificuldade de aprendizagem da leitura e escrita.

- ARTICULAÇÃO – A articulação verbal consiste na produção oral dos fonemas/sons. Para uma articulação correta dos sons é necessário que as estruturas e os músculos orofaciais estejam saudáveis. Alterações neurológicas ou imaturidade dos músculos orofaciais são algumas das causas de alterações na articulação.

- FLUÊNCIA – A fluência consiste na capacidade de encadear os sons da fala de forma contínua, possibilitando assim um discurso fluente, com ritmo e pausas adequadas. Um discurso não fluente carateriza-se por bloqueios no início da emissão, repetições ou prolongamentos de sílabas e pausas excessivas que se produzem numa gaguez.

- VOZ – A voz é um mecanismo fisiológico que permite a emissão de som durante a fala. Alteração na qualidade vocal indica alteração ao nível da estrutura ou do movimento das cordas vocais, que pode ter origem orgânica (nódulos, pólipos) ou funcional (mau uso ou abuso vocal). O Terapeuta da Fala intervém na prevenção da sintomatologia, na cessação dos maus usos e abusos vocais e na prática de saúde vocal.

- DEGLUTIÇÃO – A deglutição consiste na capacidade de ingestão de alimentos. Por questões neurológicas ou mecânicas podem ocorrer dificuldades em uma ou mais fases da deglutição, comprometendo assim uma nutrição e hidratação segura. O Terapeuta da Fala avalia e intervém na reabilitação da deglutição.

- MOTRICIDADE OROFACIAL – Relaciona-se com o desenvolvimento, aperfeiçoamento e reabilitação dos órgãos fonoarticulatórios e região cervical, bem como das respectivas funções estomatognáticas (a sucção, a mastigação, a respiração e a fala).

Vantagens da Terapia da Fala ao domicílio:

As sessões de Terapia da Fala podem ser realizadas em diferentes contextos, como gabinetes privados, clínicas, mas também ao domicílio como creche, infantário, escola e casa, dependendo dos interesses e necessidades da família.

Na intervenção ao domicílio é possível verificar as verdadeiras dificuldades de comunicação das crianças no seu dia-a-dia permitindo assim adaptar os objetivos de intervenção e estratégias à rotina diária, promovendo melhores resultados. Também o facto de ser feito um trabalho mais próximo dos familiares e cuidadores permite que as estratégias possam ser postas em prática mais facilmente, sendo mais específicas e adequadas.

Assim, em conclusão, as sessões de intervenção em domicílio e/ou escolas permitem:

  • Maior privacidade e conforto;
  • Sessões mais personalizadas e em maior contacto com familiares, cuidadores e colegas;
  • Relação terapeuta/criança mais próxima, assim como a relação com os familiares e/ou professores;
  • Poupar tempo nas deslocações;
  • Maior flexibilidade de horário.

Dra. Rita Coelho

Terapeuta da Fala

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