Fisioterapia Pediátrica

A Fisioterapia é a ciência da saúde que se foca no estudo, diagnóstico, prevenção e tratamento de disfunções cinético-funcionais. Os seus objetivos centram-se em preservar, desenvolver e /ou reabilitar a integridade das estruturas e as suas funções.

A par do desenvolvimento das ciências, os conhecimentos ligados à Fisioterapia também foram proliferando e, como tal, sentiu-se a necessidade de se subdividir esta vasta área de estudo.

Nesta área a Estimulopraxis dedica particularmente à fisioterapia pediátrica, que se debruça com especial atenção sobre uma faixa etária específica, compreendida entre os 0 e os 18 anos de idade.

Acreditando que uma criança não se trata de um adulto em ponto pequeno, mas de um ser humano em desenvolvimento, o fisioterapeuta, através de uma avaliação cuidada, minuciosa, individual e personalizada, relaciona-se com o utente, através de atividades lúdicas e sociais, integrando da melhor forma possível, todo o meio envolvente da criança.

De uma forma mais dinâmica e prática (assim como a intervenção do fisioterapeuta), seria mais intuitivo dividir este artigo por intervenientes, mas na verdade, trata-se de um ecossistema indivisível, em que um apenas subsiste com a existência do outro.

O objetivo da sua intervenção direciona-se para a melhoria da qualidade de vida da criança e, consequentemente, de todos os que a rodeiam, potencializando as suas capacidades. Abrangendo três grandes componentes: músculo-esquelética, neuromuscular e cardio-respiratória, o fisioterapeuta possui conhecimentos para detetar qualquer sinal de alerta originário destes elementos.

No sistema músculo-esquelético a principal base de preocupação está relacionada com todas as estruturas anatómicas, tais como, músculos, tendões, ligamentos, ossos e articulações, e maneira como se relacionam entre si. Diretamente relacionada com esta área deparamo-nos com lesões do foro traumático, desde acontecimentos do nosso quotidiano – como entorses, estiramentos, torcicolos – a alterações estruturais, por consequência de posturas erróneas mantida – como a escoliose ou posturas cifóticas. É uma intervenção que procura o realinhamento e reeducação das estruturas envolvidas procurando restaurar a função, que, maioritariamente, e em caso de inflamação, apresenta sinais dolorosos.

A segunda componente debruça-se sobre patologias de origem neurológica, ou que esta função se encontre, de alguma forma, alterada. A atuação terapêutica nestes casos, visa a melhoria funcional do sistema motor, de modo a que o sistema nervoso central receba a informação correta de como se deve realizar o movimento, apreendendo e integrando esta mesma. Na área da pediatria, paralisia cerebral, atrasos do desenvolvimento, doenças genéticas, neurodegenerativas, são alguns dos nomes que encontramos quando nos referimos a esta componente, no entanto, não é necessário diagnóstico para que o fisioterapeuta atue. Tendo sempre presente que o objetivo principal é a qualidade de vida da criança e de todos aqueles que a rodeiam, recolhendo a informação necessária e principais preocupações, trabalha com os sinais e sintomas que a condição apresenta, tanto em sessões individuais como sessões integradas em protocolos de terapia intensiva.

Por último, e bastante solicitado em idade precoces, o fisioterapeuta intervém diretamente em condições cardio-respiratórias, muitas de conhecimento geral, como, bronquiolite, bronquite, asma, mas também em qualquer disfunção que afeteas trocas gasosas. Através de técnicas não-invasivas, exercícios, posicionamento, educação e aconselhamento, o fisioterapeuta promove uma melhoria de função pulmonar para que ocorra uma otimização de transporte de oxigénio, e por consequência uma melhoria da ventilação.

Apesar desta divisão tão clara, estes três sistemas trabalham diretamente entre si, não podendo esquecer a existência de um enquanto trabalhamos outro. É da competência deste profissional, entender de que forma se relacionam; perceber que sem comandos neurológicos não existirá uma correta função motora, e se os músculos não cumprirem as suas funções, irá ocorrer défices a nível respiratório, que por sua vez, não ocorrendo transporte de oxigénio, a capacidade muscular estará diminuída, tornando-se um ciclo.

Com conhecimentos e aptidões para tratar variadíssimas condições clínicas, centra-se, essencialmente, nas consequências que advêm da condição referida, e não no diagnóstico. Acredita que cada caso é um caso, e este mesmo diagnóstico não é a resposta final. O seu raciocínioclínico é desenvolvido e adaptado à criança, consoantes as suas necessidades, fragilidades, potencialidades e preferências.

Defendendo a ideologia de que o utente é um todo, de forma a responder às necessidades do mesmo, alia-se a outros profissionais, criando um trabalho de equipa, composta por diversos peritos de outras áreas, como por exemplo, médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, psicomotricistas, entre tantos outros que fazem parte da história clínica da criança.

Sabendo que criança não se cinge a uma condição clínica, o fisioterapeuta procura também integrar professores, cuidadores, familiares e todos aqueles que fazem parte da sua vida e do seu dia-a-dia. Esta componente permite assim, troca de conhecimentos e informação, tornando a nossa prática mais eficiente, dinâmica, abrangente e dirigida à criança. O papel do fisioterapeuta perante a informação recolhida, será de integra-la o máximo possível, na sua intervenção.

Por fim, reservo a família e o ensino a esta mesma, fazendo questão de o mencionar com um propósito, pois considero estas duas componentes os fatores mais importantes para o sucesso da nossa intervenção.

Desta forma, sendo a família a entidade mais ligada e preocupada com o bem-estar da criança e, de certa forma, direta ou indiretamente, trabalhamos com e para eles. Todo o nosso trabalho em ambiente clínico é uma pequena porção do que deve ser feito para o bom desenvolvimento da criança. Neste ponto, é de elevada importância, o ensino cuidado e atento a todos aqueles que participam no seu quotidiano, tornando-se fundamental abranger o máximo de pessoas e espaços nesta intervenção.

Em suma, somos fruto e construção do mundo que nos rodeia, moldamo-nos como barro nas mãos do oleiro, sendo estas mãos a personificação de tudo e todos aqueles que se cruzam no nosso dia-a-dia. Atrevo-me a transcrever Antoine de Saint-Exupéry, “Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam só. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.” Não poderia encontrar melhores palavras para descrever a presença de cada família e cuidador e o seu valor nesta intervenção.

Dra.Madalena Pires – Fisioterapeuta Pediátrica

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