Cuidar e Educar… com regras e limites!

Ao longo dos tempos tem-se assistido a alterações nos papéis familiares. Que consequências advirão? Qual será a melhor forma de educar os nossos filhos? Quais as repercussões futuras de diferentes formas de educação?
Javier Urra diz-nos que “o que mais molda a personalidade da criança é a aprendizagem na família. O que observa, o que experimenta em casa – no microcosmos familiar predispõe-na para os outros mas também para si mesma. A família é uma microsociedade onde a criança começa a utilizar os valores de inter-relação social que lhe vão marcar os padrões de conduta a utilizar quando se vê imersa na sociedade em geral”.
Viver em sociedade implica obedecer a regras e limites. Estas noções são incutidas desde idades muito precoces. Ora, desde que nascemos que se torna vital existirem horas para comer, para dormir, para brincar, etc.
Quando a criança tem liberdade total, tem dificuldade em aprender a respeitar estes limites. A falta de firmeza dos pais leva a criança, com a sua imaturidade, a impor a sua vontade, muitas vezes desadequada, sendo cada vez mais difícil contrariá-la.
A criança espera dos adultos que estes os limitem. Vêem nestes limites uma garantia de segurança, de protecção e preocupação, uma forma de estar em que não necessitam de se controlar. No lado oposto, uma criança a quem não são colocados limites, sente-se perdida, sem pontos de referência dentro de si, sem segurança.
Parece-nos, portanto, imprescindível que os prestadores de cuidados consigam dizer “Não”. A criança não fica traumatizada só porque alguém lhe disse “Não!”. Contudo, é importante que a recusa seja contextualizada e coerente. Assim, a criança aprenderá a lidar com a frustração e a conhecer os limites externos para mais tarde evoluir para a construção de limites internos (“hoje” a mãe proíbe, “amanhã” eu já sei sozinho que não posso fazer). Esta aprendizagem em muito facilitará o processo de socialização e consequente respeito pelas figuras de autoridade como os pais, educadores, professores, entre outros.
Há que ter em conta que “as regras também têm regras”. Assim, devem ser realistas e claras; devem ter em conta as características individuais da criança para que esta saiba exactamente o que se espera dela, bem como conhecer o grau de importância que os pais atribuem a cada norma e qual o tipo de consequência pelo seu incumprimento. Devem ser consistentes e coerentes, em que perante a mesma situação se deve existir o mesmo tipo de exigência.
Quem tenta implementar uma regra deve ser um modelo, em que manter o controlo emocional, pensando antes de agir, é essencial. Da mesma forma, há que desenvolver a capacidade de diálogo e negociação, onde as regras são fundamentadas em razões que os pais conhecem e sabem explicar. Não deverão ser arbitrárias (“porque sim”), baseadas na autoridade (“porque te digo e porque sou tua mãe”), nem na tradição “porque sempre foi assim”.
E quando as crianças não cumprem? Quando uma regra não é respeitada é importante que haja uma responsabilização/consequência. Esta deve ser coerente com a gravidade do acto cometido pela criança, “imediata” e limitada no tempo (determinando-se quando começa e quando acaba) e certificar-se que é executada.
É importante que no caso de se aplicar uma punição se deixe bem clarificado à criança que tal é pelo acto que cometeu e não pela pessoa que ela é.
Dr.ª Lídia Martins
Tec. Sup. de Ed. Especial e Reabilitação. Psicomotricista
ESTIMULOPRAXIS – Centro de Desenvolvimento Infantil



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