DESENVOLVIMENTO E AVALIAÇÃO DO ACTO MOTOR

O desenvolvimento da criança está dependente não só do factor genético, como também das suas vivências. Assim, a actividade corporal permite que a criança explore o mundo, o que promove a sua consciencialização, através da acção como método essencial na comunicação estabelecida entre a criança e o mundo.
O acto motor pode ser considerado um mecanismo impulsionador do desenvolvimento social e intelectual, uma vez que uma motricidade funcional ostenta um entendimento coeso entre as expressões mentais e corporais, para que seja desencadeado o acto significativo, promotor de aprendizagem.
Posto isto, o desenvolvimento motor pode ser considerado uma sequência de posturas e aquisições de movimento, em que estas condutas são um subsequente progresso de competências primitivas. Assim, a avaliação do desenvolvimento motor, ou neuropsicomotor, pressupõe a análise da presença (ou ausência) de desfasamento nas condutas motoras realizadas. Nestas, é observada a qualidade do movimento durante a realização de determinadas acções, que pretendem demonstrar a aquisição e\ou a existência de princípios e factores essenciais a um desenvolvimento operante.
A realização de um certo movimento, não se encontra dependente de uma única variável, uma vez que para a produção de uma determinada acção é necessária a interacção dinâmica entre a percepção, a cognição, a motivação e a biomecânica do corpo.
Deste modo, a execução de um acto motor é constituído por um agregado de competências que são atingidas ao longo do desenvolvimento do individuo. Consequentemente, uma apreciação motora permite compreender as sinergias de comunicação entre a periferia e o centro do corpo.
Está assim, patente a participação de vários sistemas na produção de um acto motor. Por exemplo, na execução de um movimento intencional, isto é voluntário, é necessário adequar o planeamento da acção com a referente execução. Assim, o individuo primeiramente procede à integração dos aspectos exteriores (como a noção do espaço e dos objectos presentes) e ao ajuste dos aspectos interiores (como a adequação do tónus, da postura, coordenação do movimento).  Após o processamento desta informação, a criança organiza os factores espaciais, temporais, táctilo-quinestésicos, proprioceptivos e de execução motora, necessários ao tipo praxia (movimento intencional, organizado que tem em vista o alcance de um determinado objectivo) a realizar (macro, micro, oro, grafo ou sociomotora). Por último, através das vias motoras piramidais descendentes, a praxia é concretizada.
Posto isto, compreende-se que a avaliação motora na criança é capaz de analisar muito mais do que a execução de um determinado acto motor. Esta, permite examinar todos os factores necessários à sua realização, tais como organização espacial e temporal, as praxias, o esquema corporal, bem como a integridade do sistema neurológico e do sistema biomecânico. E é aqui que reside a importância de avaliar o desenvolvimento motor, de modo a estimar a existência de condutas desajustadas, impedidoras de um desenvolvimento pleno.

Dr.ª Suse Oliveira – Psicomotricista

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