Benefícios da Psicomotricidade na Educação Infantil

 

A Psicomotricidade é uma prática de mediação corporal que permite à criança reencontrar o prazer sensório-motor através do movimento e da regulação tónica, possibilitando depois a apropriação dos processos simbólicos, com forte acentuação da componente lúdica.
Na criança, a sensório-motricidade constitui-se na principal via de expressão do seu mundo interno, especialmente na faixa etária compreendida entre os primeiros meses e os 6 ou 7 anos de idade, na qual a criança se encontra em uma situação de globalidade (união permanente e estreita entre o corpo e a mente).
Desta forma, deve ser entendida como uma educação corporal básica na formação integral da criança, como um meio de expressão que dá relevância à dimensão não-verbal e as actividades não-directivas ou exploratórias.
Segundo Fonseca (2003), “é (…) pela sua actividade psicomotora total que a criança aprende vários tipos de participação e realização social, e se apropria de tarefas lúdicas, escolares, culturais, etc.”.
Na infância a Psicomotricidade vai potencializar o desenvolvimento da função simbólica; o desenvolvimento de habilidades corporais como o equilíbrio, coordenação, dissociação, orientação espacial e temporal – devendo-se, para tal, praticar uma acção pedagógica desinibidora, que proporcione situações receptivas, seguras e gratificantes; e a elaboração da noção corporal, uma vez que com um melhor entendimento sobre si mesma, a criança capacita-se para uma melhor compreensão em relação às outras pessoas e ao seu ambiente/envolvimento.
Considera-se fundamental que no jardim-de-infância a intervenção ao nível das competências psicomotoras seja realizada de forma a promover actividades que envolvam uma ligação progressiva entre aquisições sensório-motoras, perceptivo-motoras, simbólicas e conceptuais, o que é possível através de uma pedagogia criativa que faça apelo à resolução de problemas.
Muitos autores referem a importância do desenvolvimento perceptivo-motor para a aprendizagem escolar, para o desenvolvimento da escrita, referindo que dificuldades na área psicomotora podem comprometer a aprendizagem escolar.
Através da actividade corporal e da forma lúdica, a criança adquire os alicerces sensório-motores e perceptivo-motores que estão na base dos comportamentos exigidos para as aprendizagens escolares, nomeadamente a componente grafomotora da escrita, evitando desse modo dificuldades nesta área do desenvolvimento.
Muitas dificuldades e muitos problemas de aprendizagem de leitura, escrita e cálculo, emergem exactamente porque não se desenvolveram a tempo os pré-requisitos das competências fundamentais da aprendizagem.
A psicomotricidade deve ser encarada no contexto tanto educativo como social, nomeadamente na faixa etária do pré-escolar, como meio de integração escolar e preventiva das dificuldades de aprendizagem.

Dra. Rita Silva
Técnica Superior de Reabilitação Psicomotora – Psicomotricista

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