Avaliação Neuropsicologica

3ºDia

Avaliação Neuropsicológica

Uma vez que a Neuropsicologia é uma ciência que estuda o comportamento humano baseando-se no funcionamento do cérebro, sabe-se que a partir do conhecimento do desenvolvimento e funcionamento normal do cérebro, pode-se compreender as alterações cerebrais. Entende-se alterações cerebrais pelas disfunções cognitivas e do comportamento resultantes de lesões, doenças ou desenvolvimento comprometido do cérebro.

A Neuropsicologia Pediátrica que tem por objetivo identificar precocemente alterações no desenvolvimento cognitivo e comportamental, tornou-se uma das especialidades essenciais das consultas de saúde infantil. Desta forma, passou a ser necessária a utilização de instrumentos adequados, desde provas neuropsicológicas a escalas de avaliação do desenvolvimento, para se identificar todas as alterações no desenvolvimento cognitivo da criança e/ou adolescente. E é neste seguimento que se introduz o termo Avaliação Neuropsicológica.

A avaliação neuropsicológica tem como objetivo estudar as relações entre a atividade cerebral, a cognição e o comportamento. Este tipo de avaliação baseia-se na análise funcional dos processos cognitivos (linguagem, memória, perceção, atenção, funções executivas, entre outras) e na compreensão multidimensional dos prejuízos cognitivos. Assim, compreende-se que as alterações cognitivas, comportamentais e emocionais variam de acordo com a origem, extensão e localização da lesão cerebral, da mesma forma que são influenciadas pelas variáveis idade, género, condições ambientais e contexto psicossocial de desenvolvimento. A avaliação neuropsicológica da criança e do adolescente tem sido comumente realizada nos casos de problemas neurológicos, no entanto, cada vez mais surgem-nos à nossa consulta situações de perturbações do desenvolvimento cognitivo e de dificuldades de aprendizagem sem qualquer relação com lesões cerebrais.

Ao realizar-se uma avaliação neuropsicológica, através de uma vasta e seleccionada bateria de provas, acedemos ao funcionamento cerebral da criança ou adolescente que aparece na consulta por dificuldades específicas de aprendizagem ou por compromisso do desenvolvimento cognitivo. Os resultados destas escalas e provas refletem a estruturação e maturação das funções cognitivas ao longo do desenvolvimento e têm o objetivo de determinar o nível de desenvolvimento específico da criança. A importância destes instrumentos reside principalmente na prevenção e deteção precoce de distúrbios do desenvolvimento ou de dificuldades de aprendizagem, indicando de forma minuciosa o ritmo e a qualidade do processo de desenvolvimento e possibilitando um mapeamento qualitativo e quantitativo das áreas cerebrais e suas interligações, visando alcançar intervenções terapêuticas precoces e precisas.

O conjunto de instrumentos utilizados possibilita-nos uma avaliação global das capacidades da criança, bem como das dificuldades encontradas por ela, pela família ou pela escola no seu desempenho escolar ou em tarefas do dia-a-dia. Contudo, importa referir que não pretendemos rotular ou enquadrar a criança nos grupos problemáticos, mas sim evitar que tais dificuldades impeçam a integração escolar e o desenvolvimento saudável da criança.

A avaliação neuropsicológica é recomendada em qualquer caso onde exista suspeita de uma dificuldade cognitiva ou comportamental. Esta avaliação pode auxiliar no diagnóstico e tratamento de diversas doenças neurológicas, problemas de desenvolvimento infantil, perturbações emocionais e psiquiátricas, alterações de comportamento, entre outros.

Através de uma rigorosa avaliação do funcionamento cerebral podemos analisar quais as áreas cognitivas menos estruturadas ou que apresentam compromisso significativo de forma a delinearmos um programa de intervenção neuropsicológica a fim de minimizar as dificuldades ou até mesmo promover o desenvolvimento de uma função como a atenção, a memória, a perceção, a linguagem, o raciocínio, entre muitas outras.

Filipa Lourenço – Neuropsicóloga Pediátrica

Neurofeedback

2ºDia

Neurofeedback

O Neurofeedback (NFB) é uma técnica de intervenção neuropsicológica que permite modificar os padrões de atividade do cérebro, nomeadamente da sua parte mais evoluída – o neocórtex. Neurofeedback ou EEG de Biofeedback são sinónimos e desenvolvem-se num contexto clínico de neuroterapia. Esta técnica permite modificar a atividade das ondas cerebrais, de modo a melhorar toda a dinâmica de transmissão sináptica e libertação de neurotransmissores.

Através de exercícios de estimulação cognitiva apresentados, o paciente “aprende” a modificar a atividade bioeléctrogénica (ou seja, as ondas) cerebrais, de forma a aumentar os níveis de atenção, diminuir os sintomas de ansiedade e a tenção emocional e muscular, bem como reduzir os comportamentos hiperativos e impulsivos. Neste âmbito, estamos perante um método terapêutico não farmacológico, não invasivo e indolor, que permite ao paciente obter informação dos próprios ritmos cerebrais, usando ao mesmo tempo essa informação para produzir alterações nessa mesma atividade. O NFB refere-se a um paradigma de condicionamento operante, no qual os participantes aprendem a influenciar a atividade bioeléctrica do cérebro. Esta técnica, poderá permitir ao paciente desenvolver maior estabilidade, maior capacidade de auto-controlo, auto-planeamento, auto-gestão e melhor desempenho.

Este método de intervenção neuropsicológica tem demonstrado, em diversos estudos controlados, ser eficaz no tratamento do défice de atenção e perturbação de hiperatividade, da ansiedade, das alterações do desenvolvimento, da epilepsia, dos traumatismos crânio-encefálicos ou das perturbações do espetro do autismo. Contudo, o NFB não responde a toda e qualquer patologia ou alteração do sistema nervoso, competindo ao neuropsicólogo que aplica esta técnica compreender a eficácia e a indicação terapêutica para cada caso em particular. Esta análise e compreensão só pode ser realizada após uma pormenorizada avaliação neuropsicológica com provas específicas e um electroencefalograma quantitativo (QEEG).

O NBF têm-se mostrado, particularmente, eficaz na perturbação de hiperatividade e défice de atenção (PHDA) como apontam a maior parte dos estudos desenvolvimentos mundialmente. Os dados da investigação clínica indicam que os indivíduos com défice de atenção e hiperatividade apresentam registos de QEEG com persistência reduzida de determinadas ondas cerebrais em certas áreas e/ou com persistência elevada de outras ondas, quando comparados com indivíduos normais.

Para referir apenas alguns exemplos da sua utilidade mostrou-se que o Neurofeedback tem-se demonstrado particularmente útil em patologias caracterizadas por disfunção na regulação do arousal cortical, como a epilepsia (Sterman et al., 1974) e a PHDA (Lubar et al., 1995) ou mais recentemente estudos apontam que a neuroterapia com NFB tem o mesmo grau de eficácia no tratamento do défice de atenção e hiperatividade do que a medicação com estimulantes como o metilfenidato (Fuchs et al., 2003).

Filipa Lourenço – Neuropsicóloga Pediátrica