O Desenvolvimento Motor nas crianças com Perturbação do Espectro do Autismo

A Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) é considerada uma perturbação do neurodesenvolvimento de base biológica, que se manifesta precocemente (normalmente antes dos três anos de idade).É considerada uma alteração orgânica do desenvolvimento, de componente genética e multifatorial, sendo uma das patologias complexas mais hereditáveis.

A PEA é o termo utilizado para identificar um grupo de alterações do desenvolvimento que se repercute clinicamente numa tríade de dificuldades: (1) interação social recíproca, (2) comunicação verbal e não-verbal, (3) interesses restritos e comportamentos repetitivos e estereotipados, que influenciam significativamente o desenvolvimento da criança em diversas áreas, tais como: socialização, comunicação, comportamento, motricidade, autonomia, etc.

Estudos recentes sugerem que as crianças com PEA apresentam características motoras desviadas dos padrões normais de desenvolvimento, que podem ser identificadas desde o nascimento. São referidas alterações no desenvolvimento motor (global e fino), nomeadamente nos reflexos, nas posturas precoces, na marcha, na corrida, na coordenação, no equilíbrio, no posicionamento, na utilização das mãos, na tonicidade (fraca tonicidade), entre outros.

As crianças com PEA apresentam hipercinésia (agitação psicomotora e contração muscular involuntária), bradicinésia (dificuldade em iniciar o movimento e realizá-lo com fluência, assim como lentidão na execução do mesmo), distonia (falta de controlo de um grupo muscular), assimetrias faciais, discinesias (movimentos involuntários anormais que afetam principalmente as extremidades, tronco ou mandíbula).

Na marcha podemos observar uma aquisição tardia com um padrão acelerado (semelhante à corrida). Podem apresentar dificuldade em coordenar os movimentos dos braços em simultâneo com os pés, sendo igualmente evidentes dificuldades em coordenar o uso simultâneo das mãos. No equilíbrio verifica-se dificuldade em permanecer em apoio unipodal, em equilibrar-se em cima de uma trave ou andar sobre uma linha no chão.

Outra dificuldade está relacionada com a imitação motora. As crianças com PEA imitam menos e quando imitam fazem mais erros do que as crianças com um desenvolvimento típico. As dificuldades motoras estão quer ao nível de movimentos simples, quer ao nível dos gestos (fazer o gesto do adeus, dar um beijinho, levantar os braços para pedir colo), bem como na sequência de movimentos.

Desta forma, o impacto das dificuldades motoras na autonomia pessoal da criança é importante assim como nas restantes áreas, nomeadamente no desenvolvimento da linguagem, da comunicação e da socialização. O andar tardio, a dificuldade na coordenação combinada das duas mãos, por exemplo, leva a que a criança tenha mais limitações na exploração do ambiente que a rodeia, assim como na manipulação dos objetos, como as dificuldades em segurar a colher e comer sozinho, em beber pelo copo, em vestir-se e no controlo dos esfíncteres. Desta forma, o défice motor estará relacionado com o baixo nível de independência funcional.

É possível destacar como competências fortes das crianças com PEA as tarefas que estão relacionadas mais com o desenvolvimento de competências motoras globais como o andar, saltar, correr, subir e descer. São crianças que regra geral são destemidas e com pouca noção do perigo. De um modo geral acabam por fazer as aquisições motoras básicas imprescindíveis ao desenvolvimento, ainda que esta aquisição se dê mais tardiamente.

Relativamente às competências mais fracas estas situam-se ao nível do desenvolvimento de motricidade fina, com especial impacto ao nível da escrita. Ao nível do grafismo a maioria das crianças revela dificuldade em controlar a força e o movimento de escrita. De um modo geral, são crianças com um atraso na aquisição dos movimentos relacionados com o uso coordenado das duas mãos em simultâneo, revelando dificuldade na execução de tarefas como o abrir, o recortar e o grafismo.

Apesar de ser uma característica comum, as alterações motoras não se constituem como um marcador de diagnóstico específico para a PEA. Contudo os movimentos estereotipados são definidos como uma característica específica da PEA: andar em bicos dos pés, abanar as mãos (“hand-flapping”), pestanejar, balanceamentos, bater repetidamente (“tapping”) movimentos dos dedos, entre outros.

Assim sendo, a investigação no domínio motor apresenta-se fundamental uma vez que os défices motores são importantes na qualidade de vida e podem aumentar o rol de dificuldades destes indivíduos, condicionando a sua participação nas atividades físicas ou motoras escolares ou comunitárias. Para além disso, como este tipo de sintomas surgem antes dos sinais comunicativos-sociais, pode este tipo de investigação na área motora ser extremamente útil para a melhoria do diagnóstico precoce ao âmbito da PEA.

Dra. Rita Silva

Técnica Superior de Reabilitação Psicomotora/Psicomotricista

Estimulopraxis – Centro de Desenvolvimento Infantil

SÍNDROME DE DOWN

Doença genética mais comum causando atraso mental.
Esta doença deve-se à presença de 1 cromossoma 21 extra – Trissomia 21.
Surge em 1:800-1000 nascimentos. A prevalência aumenta com a idade materna, contudo, atualmente com o diagnóstico pré-natal oferecido às mães com idade >= 35 anos (Rastreio Bioquímico e Amniocentese/Cariotipo) estas situações na sua maioria não chegam a termo (IVG).
A Recorrência, possibilidade de nova gravidez com Trissomia 21 é baixa – 1%.
O diagnóstico pode ser pré- natal, como foi dito atrás, ou quando isso não acontece, após o nascimento faz-se pelo Fenotipo do bebé (características faciais, entre outras)

e confirma-se por análise sanguínea – Cariotipo.

A Trissomia 21 cursa com inúmeras doenças associadas, de que se salienta:

– Cardiopatia Congénita (50%)

– Obstipação crónica (30%)

– Patologia Oftalmológica – Erros de Refração (50%)

– Hipotiroidismo congénito (27 vezes mais frequente que na população em geral) ou      adquirido (14% a 20%)

– Doenças musculo-esqueléticas

Hipotonia central e periférica

Instabilidade atlantoaxial (15%)

– Crescimento – Baixa estatura, Obesidade (Nutricionista)

– Neurodesenvolvimento – Atraso Global

Motricidade Global e Fina

Cognitivo

Linguagem (Verbal Expressiva)

Programas de Intervenção:

Crianças dos 0 aos 2 anos

Estimulação sensorio-motora

– Tonicidade

– Coordenação motora

– Equilíbrio

Crianças com idade >= a 3 anos até aos 18 anos

– Coordenação motora

– Perceção visuo-espacial

– Equilíbrio

– Lateralidade

– Grafomotricidade

– Atenção/Concentração

– Comportamento/Socialização

– Relação/Comunicação (Linguagem Verbal e Não Verbal)

– Programas de Ensino adequados

Drª Isabel Paz (Pediatria do Desenvolvimento – ESTÍMULOPRAXIS)