Método Cuevas Medek Exercise – CME (Curso Nível II -S.Paulo,Brasil / Junho 2013



No âmbito da reabilitação pediátrica, em crianças que possuem alteração no desenvolvimento motor causado por síndrome não degenerativa que afecta o Sistema Nervoso Central, a equipa técnica da Estimulopraxis representada pela Dra. Sandra Antunes, participou no curso nível II do Método Cuevas Medek Exercise (CME), em São Paulo com o criador do método Ramón Cuevas e a equipa da Clínica Rehabilitar .

Reforçando assim a importância da formação e da investigação ao nível da intervenção nas alterações do desenvolvimento motor.

O Método Cuevas Medek Exercise (CME) é uma abordagem utilizada em fisioterapia pediátrica em crianças que possuem alteração no desenvolvimento motor causado por síndrome não degenerativa que afecta o Sistema Nervoso Central. Ou seja, o CME pode ser utilizado em qualquer alteração do desenvolvimento motor, excepto em quadros de atraso motor causados por patologias degenerativas. Esta terapia pode ser aplicada a crianças a partir de 3 meses de vida até que elas atinjam o controlo da marcha independente. Como os terapeutas que utilizam o Método CME precisam de expor a criança à influência da força da gravidade, através do progressivo suporte distal, o uso desta terapia pode ser limitado pela altura e peso da criança.

O princípio fundamental do CME é baseado no facto de que crianças que possuem comprometimento no seu desenvolvimento precisam de reforçar o seu potencial de recuperação natural. Esta propriedade do Sistema Nervoso Central continua a propulsar o processo de desenvolvimento mesmo após a sequela ter se instalado.

A reacção natural do “potencial de recuperação” isoladamente, não pode tirar a criança da situação de desenvolvimento motor anormal. Por isso é crucial iniciar a terapia motora no momento da detecção dos primeiros sinais de alarme.

Existem diferenças entre a terapia “tradicional” e o Método CME. A terapia “tradicional” centra-se em corrigir e compensar os sintomas da patologia que afecta a criança (hipotonia; hipertonia; alterações musculo-esqueléticas etc.). Enquanto que, o Método CME centra-se em provocar as reacções motoras normais residentes no potencial genético humano.

O nível final de independência motora alcançado pela criança irá depender dos seguintes factores:

1- A detecção precoce da alteração no desenvolvimento motor.

2- A existência do potencial de recuperação cerebral.

3- A aplicação no momento correcto de uma abordagem significante de terapia motora.

4- A execução constante de exercícios apropriados até se atingir o total controlo motor.

Não poderíamos deixar de realçar que foi um privilégio estar com Ramón Cuevas e ter a oportunidade de vê-lo trabalhar com as crianças e a forma como interage com a família, salientando-se a importância desta no processo de reabilitação.

Para conhecer melhor este método, a sua origem e todas as suas características bem como o seu criador, consulte o site oficial: www.cuevasmedek.com

Dra. Sandra Antunes – Terapia Física Pediátrica CME

Terapeuta Filipa Jones – Terapia Física Pediátrica CME

Centro de Desenvolvimento Infantil – Estimulopraxis

(Revisão do texto realizada pelo criador do método Ramón Cuevas).


O QUE É A INTEGRAÇÃO SENSORIAL?

A integração sensorial é uma teoria de intervenção que visa intervir nos padrões de integração sensorial – descoordenação motora, atrasos na motricidade grossa e fina, défices de equilíbrio, respostas invulgares à sensação (hiperresponsividade, hiporesponsividade e flutuações) – e disfunção da praxis (o processo de ter uma ideia, iniciar e completar novas tarefas motoras).

É uma abordagem onde a criança, através do brincar e de atividades significativas, com alto teor sensorial (tátil, vestibular e proprioceptivo) integra a informação, ao nível do sistema nervoso central, e produz uma resposta adaptada e de acordo com as exigências do meio.

Beneficiam desta abordagem crianças que apresentem alguns destes comportamentos:

– Cair com frequência

– Desorganização

– Derrubar objetos e/ou deixa-os cair com  facilidade

– Distração/ inatenção

– Frustração / irritabilidade com facilmente

– Alterações frequentes de humor

– Comportamentos agressivos

Estes comportamentos poderão estar associados a problemas de desenvolvimento – como a perturbação do espectro do autismo, perturbação de hiperatividade e défice de atenção, entre outros – ou em crianças com um desenvolvimento aparentemente normal.

Esta abordagem deverá ser realizada por um profissional certificado em Integração Sensorial e Terapia Ocupacional. 

Nova Valência: Terapia Ocupacional – Integração Sensorial


Ao longo da sua intervenção em Pediatria, a equipa multidisciplinar da Estimulopraxis foi deparando-se com crianças que apresentam variadíssimos problemas e diagnósticos, tentando sempre encontrar a melhor resposta para lhes proporcionar um desenvolvimento harmonioso, ajudando-as a atingir o máximo de autonomia. Desta forma, esta equipa procurou diversificar as suas abordagens de intervenção de forma a conseguir maximizar estes objetivos.

Foi assim que a Estimulopraxis “encontrou” e se interessou pela Integração Sensorial. Esta abordagem alia os interesses da criança, através do brincar, de forma a desenvolver as suas competências motoras e cognitivas.

Mas em que situações é que uma criança beneficia de uma intervenção baseada na teoria de integração sensorial?

Quando uma criança apresenta comportamentos desadequados – de impulsividade, irritabilidades – dificuldade em realizar tarefas motoras adequadas à sua idade – como vestir o casaco, cair com frequência e/ou desenhar as letras do seu nome -, dificuldades de aprendizagens – dificuldade em permanecer atento, distrai-se com facilidade com ruídos e/ou materiais – e até mesmo envolver-se em brincadeiras com os seus pares, podemos estar perante uma criança com disfunção de integração sensorial.

Crianças com perturbações do desenvolvimento, como perturbação do espectro do autismo ou perturbação de hiperatividade e défice de atenção, apresentam, frequentemente disfunção de integração sensorial.

A disfunção da integração sensorial consiste na dificuldade do sistema nervoso central (SNC) em processar e/ou organizar a informação sensorial que a pessoa recebe ao interagir com o meio.

O nosso corpo tem dois tipos de sentidos: os sentidos distais – que são aqueles que todos conhecemos como os cinco sentidos (visual, auditivo, táctil, olfativo e gustativo) e que nos dão informação daquilo que é externo ao nosso corpo – e os sentidos proximais – que são aqueles que não conseguimos observar, mas que são fundamentais à nossa sobrevivência uma vez que respondem ao que está a acontecer no nosso corpo. Estes últimos sentidos ou sistemas sensoriais são: o sistema táctil – que dá-nos informação pelo tacto, que recebe através da pele –; o sistema vestibular – que dá-nos informação pelo movimento e gravidade, que recebe através do ouvido interno –; e o sistema proprioceptivo – que dá-nos informação pela posição e partes do corpo, que recebe através dos músculos, ligamentos, tendões e articulações.

É, principalmente, sob estes três sistemas sensoriais que a integração sensorial se incide. A dificuldade em processar estes três sistemas, em conjunto ou separadamente, provoca as disfunções de integração sensorial.

A teoria da integração sensorial, como é atualmente usada na prática da Terapia Ocupacional, foi desenvolvida pela Dra. Jean Ayres, ao longo dos anos 60 e 70. A Dra. Ayres investigou sistematicamente a forma como cérebro processa a informação sensorial de forma a usá-la para aprendizagem, para as emoções e comportamento.

Os princípios essenciais à intervenção recorrendo a uma abordagem da Integração Sensorial, passam por:

  • Profissionais qualificados em integração sensorial e terapia ocupacional;
  • Plano de intervenção centrado na família, baseado numa completa avaliação e interpretação dos padrões de disfunção de integração sensorial
  • Ambiente seguro que inclua equipamento capaz de providenciar sensações vestibulares proprioceptivas, tácteis e oportunidades para a praxis.
  • Atividades: ricas em sensações, especialmente aquelas que providenciam sensações vestibulares, tácteis e proprioceptivas, e oportunidades para integrarem essa informação com outras sensações como as visuais e auditivas;
  • Atividades que promovam um bom controlo motor e postural, incluindo segurar-se contra gravidade e manter controlo enquanto se move pelo espaço, assim como a regulação e resposta comportamental adequada.
  • Atividades são negociadas, não pré-planeadas, cabendo ao terapeuta alterar a tarefa e interagir num ambiente baseado nas respostas da criança.
  • Estratégias de intervenção que promovam o “desafio certo”.
  • Oportunidade para a criança produzir respostas adaptativas (adaptar o seu corpo e interagir adequadamente com coisas e pessoas no espaço) a diferentes e cada vez mais complexas exigências do ambiente
  • Motivação intrínseca e vontade de envolver-se em atividade agradáveis, ou seja, brincar.
  • Dra. Mariana Ventura – Terapeuta Ocupacional