Intervenção Precoce no Bebé Prematuro

A prematuridade é uma temática cada vez mais específica e de interesse para pais e técnicos da área da saúde e educação.
Os estudos publicados na literatura internacional indicam que desde a década de oitenta se tem vindo a registar um aumento da sobrevivência dos recém-nascidos de muito baixo peso.
Os avanços nos cuidados médicos, têm contribuído para que muitos recém-nascidos prematuros consigam sobreviver e se desenvolver normalmente.  No entanto, a sobrevivência do bebé está intimamente ligada à sua idade gestacional.
Embora muitos investigadores tenham procurado definir e categorizar as várias situações de prematuridade, a mais aceite é a sugerida pela Organização Mundial de Saúde, que define Bebés de Termo (gestação completa) como bebés nascidos entre 37 e 42 semanas de gestação; Bebés Prematuros como bebés nascidos com menos de 37 semanas de gestação; Bebés Pós-termo como bebés nascidos com mais de 42 semanas de gestação; Bebés pequenos para a idade gestacional como bebés nascidos com 37 ou mais semanas de gestação e cujo peso é baixo para a idade gestacional; Bebés pequenos para a idade e prematuros como bebés com um crescimento intra-uterino lento, nascidos com menos de 37 semanas; Bebés com um crescimento apropriado para a idade gestacional como bebés com crescimento intra-uterino normal na altura do nascimento. São pequenos, no entanto, por serem prematuros. Depois do nascimento a idade gestacional é determinada por exames físicos realizados ao recém-nascido que incluem a avaliação das respostas neurológicas.
Numa outra classificação mais recente, a Organização Mundial de Saúde estipulou que bebés com baixo peso são bebés nascidos com menos de 2500g; bebés com muito baixo peso são bebés nascidos com menos de 1500g e bebés com extremo baixo peso são bebés nascidos com menos de 1000g (United Nations Children’s Fund and World Health Organization, 2004).
As condições e os factores que influenciam a ocorrência de um parto prematuro e os seus efeitos a médio e longo prazo, não são homogéneos, variando bastante de caso para caso. As causas podem ser multifactoriais. Os factores de risco para um parto prematuro estão relacionados com uma assistência pré-natal inadequada, pré-eclâmpsia, baixo nível socioeconómico, anemia, doenças maternas, gestação múltipla, infecções, complicações durante o parto, hemorragias e sofrimento fetal, entre outras.
Sabemos que os bebés prematuros ou com muito baixo peso ao nascer enfrentam um conjunto significativo de problemas durante a fase perinatal. Por este motivo, são considerados bebés em situação de risco biológico, pela sua maior vulnerabilidade a apresentarem posteriormente problemas ao nível do desenvolvimento psicomotor.
Considerando a importância de um adequado acompanhamento de todas as alterações que surgem no decurso do processo de desenvolvimento nos primeiros anos de vida de qualquer bebé, é de salientar a relevância de um apoio ainda mais sistemático e, se necessário especializado, no caso de crianças que pelos mais variados motivos se encontram em situação de risco.
Constituindo a prematuridade um factor de risco biológico e sendo esta uma área de intervenção a privilegiar, é de realçar a importância de um acompanhamento individualizado ao bebé prematuro e respectiva família.
Intervir precocemente é dar continuidade à intervenção realizada dentro da unidade de cuidados intensivos neonatais. Os pais de um bebé prematuro são desafiados com uma série de características muito particulares, sendo que o parto é prematuro não só para o bebé mas também para os seus pais. Após a alta hospitalar sabemos que o momento de transição para casa é um momento de grande stress para a família.
Por vários motivos devemos ter em consideração que deverá existir um acompanhamento especializado a cada família de acordo com as necessidades. As necessidades apresentadas podem referir-se à criança no que diz respeito aos cuidados médicos e terapêuticos, podem ser relativamente à família no que se refere à obtenção de informação e formação sobre o desenvolvimento do bebé prematuro e, em algumas situações o apoio psicológico. Relativamente à comunidade sobre os apoios e aos recursos existentes.
É de realçar que relativamente aos serviços que prestam apoio a crianças em diversas situações de risco, designados como serviços de Intervenção Precoce, apontam claramente a pertinência e as vantagens óbvias de uma intervenção, que se inicie o mais cedo possível, que tenha continuidade e que contemple um amplo envolvimento da família. É neste contexto que se insere o Programa de Apoio ao Bebé Prematuro, um projecto elaborado pela equipa do Centro de Desenvolvimento Infantil – ESTIMULOPRAXIS, que procura salientar a importância de um acompanhamento o mais precoce possível, de forma a responder às necessidades especificas do bebé prematuro e respectiva família. O Programa de Apoio ao Bebé Prematuro pretende dar resposta a nível nacional, de acordo com a disponibilidade e recursos de cada família.
Mas para intervir precocemente é necessário uma detecção precoce, atendendo neste caso às características específicas do bebé prematuro e da sua família, assim como a todos os sinais de alarme, para que sempre que necessário exista um acompanhamento especializado.
De realçar até aos dois anos as alterações sensoriais e as alterações motoras, relativamente ao tónus e às alterações da motricidade fina. Depois dos 3 anos as perturbações motoras a nível do tónus e coordenação do movimento, as perturbações sensoriais, as perturbações de linguagem, as perturbações de comportamento, a baixa auto-imagem e auto-confiança. É necessário uma vigilância específica sobre todos os indicadores de alguma dificuldade que poderá influenciar o sucesso escolar.
Sandra Antunes, Técnica Superior de Educação Especial e Reabilitação/Psicomotricista
Centro de Desenvolvimento Infantil ESTÍMULOPRAXIS