PROGRAMA DE APOIO AO BEBÉ PREMATURO

Os bebés prematuros ou com muito baixo peso ao nascer enfrentam um significativo conjunto de problemas durante a fase perinatal. Por este motivo, são considerados bebés em situação de risco biológico, pela sua maior vulnerabilidade a apresentarem posteriormente problemas ao nível do desenvolvimento psicomotor.
Considerando a importância de um adequado acompanhamento de todas as alterações que surgem no decurso do processo de desenvolvimento nos primeiros anos de vida de qualquer bebé, é de salientar a relevância de um apoio ainda mais sistemático e, se necessário especializado, no caso de crianças que pelos mais variados motivos se encontram em situação de risco.
Sendo a prematuridade uma população considerada de risco, têm surgido novas metodologias de intervenção na área do desenvolvimento infantil. É neste contexto que se insere o Programa de Apoio ao Bebé Prematuro, um projecto elaborado pela equipa do Centro de Desenvolvimento Infantil – ESTIMULOPRAXIS, que procura salientar a importância de um acompanhamento o mais precoce possível, de forma a responder às necessidades especificas do bebé prematuro e respectiva família. O Programa de Apoio ao Bebé Prematuro pretende dar resposta a nível nacional, de acordo com a disponibilidade e recursos de cada família.
A equipa do Programa de Apoio ao Bebé Prematuro é constituída por uma equipa multidisciplinar especializada em desenvolvimento infantil nas diferentes áreas, Pediatria, Pediatria de Desenvolvimento, Psicologia, Reabilitação Psicomotora, Terapia da Fala e Consultadoria Cientifica.

O Programa está estruturado de forma a que, após o contacto realizado pelos pais, seja marcada a primeira consulta de Pediatria de Desenvolvimento, na a qual estará presente a pediatra e outro elemento da equipa. Após a avaliação de Desenvolvimento é determinado qual a melhor resposta a dar à criança e sua família.
Sempre que necessário será realizado um plano de intervenção individualizado

Este projecto apresenta quatro objectivos principais, sendo eles:
• Melhorar o nível de adaptação da família à situação de existência de uma criança prematura;
•  Promover o envolvimento activo dos pais no processo pedagógico- terapêutico do seu filho/ Melhorar as competências parentais;
•  Promover o desenvolvimento global da criança;
• Realizar o acompanhamento da criança através da realização de avaliações do desenvolvimento de seis em seis meses.

Para melhorar o nível de adaptação da família à situação de existência de uma criança prematura recorrer-se-á à aplicação de questionários como meio de recolha de informação inicial (e.g. Inventário de necessidades da criança e família, Inventário dos apoios a nível comunitário, entre outros). Para além disso, ter-se-á em consideração toda a legislação vigente de apoio à família.

No sentido de promover o envolvimento activo dos pais no processo pedagógico- terapêutico do seu filho, ter-se-á como objectivo, em primeiro lugar, perceber a dinâmica de interacção pais – filhos e, posteriormente, maximizar essa interacção. Além disso, outra das finalidades será ajudar a organizar o envolvimento, tornando-o mais ajustável e promotor do desenvolvimento da criança.

Promover o desenvolvimento global da criança, envolverá a realização de uma caracterização da mesma; a percepção clara, por parte dos técnicos do desenvolvimento da criança prematura; a promoção de actividades que maximizem as cinco áreas do desenvolvimento infantil: Motricidade Global; Motricidade Fina; Cognição; Comunicação e Linguagem; e Autonomia Pessoal e Social. Será também importante envolver a participação dos pais, tornando-os parceiros no processo de intervenção, através da integração dos objectivos pedagógico-terapêuticos nas actividades de rotina da criança.

Por último, de 6 em 6 meses, a criança deverá realizar uma avaliação formal de desenvolvimento de forma a poder ser observada a sua evolução.

Paralelamente à execução destes objectivos, será efectuada formação parental no âmbito de diversas temáticas, como: Caracterização do Bebé Prematuro; Desenvolvimento Psicomotor nos primeiros meses de vida; Sinais de Alerta; Estimulação do Desenvolvimento no decorrer das Rotinas Diárias: Envolvimento Adequado (brinquedos e actividades); Comportamentos promotores do Desenvolvimento Comunicativo e Linguístico; Estratégias para a Alimentação; Massagem para Bebés, entre outras.

É ainda importante realçar o grupo de ajuda mútua que é constituído por pais de bebés prematuros, esperando-se com esta iniciativa a partilha de experiências e expectativas.

Dra Sandra Antunes
Tec. Sup. De Ed. Esp. e Reabilitação/ Psicomotricista

ACOMPANHAMENTO AO ESTUDO

Para que estudar seja ainda mais fácil

Nem sempre o interesse pelo estudo e aprendizagem é intrínseco, há crianças que o encaram como uma tarefa aborrecida e obrigatória, não conseguindo realizá-lo sozinhas ou fazendo-o sem motivação e empenho, o que na maioria das vezes acaba por se repercutir nos seus resultados escolares. Assim, o apoio e acompanhamento de um adulto, seja ele um familiar, professor ou terapeuta, pode ser uma maneira de aumentar a motivação e sucesso escolar da criança.
O desenvolvimento cognitivo resulta da interacção entre a criança e as pessoas com quem esta contacta regularmente, ou seja, o seu desenvolvimento e aprendizagem dependem tanto da imitação do adulto, como do ensino e do acompanhamento que a criança recebe deste a nível escolar e social. Deste modo, o apoio escolar que é dado à criança, dentro e fora da sala de aula, é fundamental para o seu desenvolvimento e sucesso académico, pois “a criança fará sozinha aquilo que hoje é capaz de fazer em cooperação” (Vygotsky, 1978).
O acompanhamento ao estudo é, então, de uma importância fundamental, sendo que este se refere a uma actividade de aprendizagem fora do período de aulas com o principal objectivo de ajudar as crianças a colmatar as suas dificuldades, a encontrar as melhores estratégias de estudo e a aumentar a sua motivação, interesse e prazer pela aprendizagem (Defs, 2006). Por outras palavras, diz respeito à adequação das crianças a métodos de estudo e de trabalho de forma a proporcionar-lhes um conjunto de atitudes e de capacidades que favoreçam uma maior autonomia e confiança na realização das suas aprendizagens, criando-lhes rotinas de estudo e a capacidade de aprender a aprender.
Aos pais, professores ou terapeutas compete, então, a tarefa de promover nas crianças capacidades tão importantes como o saber estar, comunicar, respeitar opiniões, organizar o seu estudo, tempo e espaço e conhecer as suas capacidades e o modo como pode potenciá-las. Além disso, os pais ou outros adultos que acompanham a criança devem estimular a discussão e reflexão dos temas que estão a ser leccionados na escola, tornando este mais um momento em que se desafia a criança a resolver problemas, a compreender e interpretar ideias e conceitos e a transferir os novos conhecimentos para a vida, ou seja, a estimular e descobrir todo o seu potencial. O acompanhamento ao estudo permite, assim, ao adulto não só estar mais próximo da criança, como também identificar, caso exista, alguma dificuldade que ela possa demonstrar na sua aprendizagem.
Ao aprenderem técnicas de estudo, as crianças e jovens ficam mais capazes de obter sucesso académico e sucesso na sua vida pessoal e profissional futura, compreendem que são eles os autores da sua aprendizagem e que esta depende do modo como se empenham, como a encaram e como gerem o estudo. Assim, no acompanhamento ao estudo, os adultos devem procurar que as crianças, com ajuda, estabeleçam metas para si próprias e considerem como poderão vir a atingir determinados objectivos. Todas as crianças são capazes de aprender e de melhorar os seus desempenhos académicos, tendo os professores, pais e terapeutas um papel determinante neste processo. Deste modo, é muito importante que a criança comece por conhecer melhor as suas potencialidades, aprendendo a aproveitá-las, bem como as suas fraquezas, aprendendo a minorá-las. Sob este ponto de vista, o adulto deverá ser apenas um orientador para a criança alcançar os seus objectivos.
No entanto, nem sempre o acompanhamento ao estudo é bem aceite pelas crianças, sobretudo pelas mais velhas. O desinteresse e a desmotivação podem ser as principais barreiras que surgem no decorrer do estudo, cabendo, então, ao adulto ter uma atitude empática, perspectivando cada criança que acompanha como única, pois apenas deste modo poderá conhecer os seus estilos cognitivos e interesses, ir ao encontro das suas necessidades e ajudá-la a desenvolver as suas competências emergentes.
Os adultos responsáveis pelo acompanhamento ao estudo devem procurar criar uma parceria com todos os adultos que acompanham a criança neste âmbito, ou seja, deve haver troca de informação entre a família, a escola e, quando necessário, os terapeutas, para que todos trabalhem para o mesmo fim.
Dra. Paula Santos
Dra. Inês Tecedeiro
Dra. Cátia Ornelas
Licenciadas em Reabilitação Psicomotora

Dra. Ana Sofia Cruz 
Licenciada em Educação de Infância
Mestre em Educação Especial

Benefícios da Psicomotricidade na Educação Infantil

 

A Psicomotricidade é uma prática de mediação corporal que permite à criança reencontrar o prazer sensório-motor através do movimento e da regulação tónica, possibilitando depois a apropriação dos processos simbólicos, com forte acentuação da componente lúdica.
Na criança, a sensório-motricidade constitui-se na principal via de expressão do seu mundo interno, especialmente na faixa etária compreendida entre os primeiros meses e os 6 ou 7 anos de idade, na qual a criança se encontra em uma situação de globalidade (união permanente e estreita entre o corpo e a mente).
Desta forma, deve ser entendida como uma educação corporal básica na formação integral da criança, como um meio de expressão que dá relevância à dimensão não-verbal e as actividades não-directivas ou exploratórias.
Segundo Fonseca (2003), “é (…) pela sua actividade psicomotora total que a criança aprende vários tipos de participação e realização social, e se apropria de tarefas lúdicas, escolares, culturais, etc.”.
Na infância a Psicomotricidade vai potencializar o desenvolvimento da função simbólica; o desenvolvimento de habilidades corporais como o equilíbrio, coordenação, dissociação, orientação espacial e temporal – devendo-se, para tal, praticar uma acção pedagógica desinibidora, que proporcione situações receptivas, seguras e gratificantes; e a elaboração da noção corporal, uma vez que com um melhor entendimento sobre si mesma, a criança capacita-se para uma melhor compreensão em relação às outras pessoas e ao seu ambiente/envolvimento.
Considera-se fundamental que no jardim-de-infância a intervenção ao nível das competências psicomotoras seja realizada de forma a promover actividades que envolvam uma ligação progressiva entre aquisições sensório-motoras, perceptivo-motoras, simbólicas e conceptuais, o que é possível através de uma pedagogia criativa que faça apelo à resolução de problemas.
Muitos autores referem a importância do desenvolvimento perceptivo-motor para a aprendizagem escolar, para o desenvolvimento da escrita, referindo que dificuldades na área psicomotora podem comprometer a aprendizagem escolar.
Através da actividade corporal e da forma lúdica, a criança adquire os alicerces sensório-motores e perceptivo-motores que estão na base dos comportamentos exigidos para as aprendizagens escolares, nomeadamente a componente grafomotora da escrita, evitando desse modo dificuldades nesta área do desenvolvimento.
Muitas dificuldades e muitos problemas de aprendizagem de leitura, escrita e cálculo, emergem exactamente porque não se desenvolveram a tempo os pré-requisitos das competências fundamentais da aprendizagem.
A psicomotricidade deve ser encarada no contexto tanto educativo como social, nomeadamente na faixa etária do pré-escolar, como meio de integração escolar e preventiva das dificuldades de aprendizagem.

Dra. Rita Silva
Técnica Superior de Reabilitação Psicomotora – Psicomotricista