“ À Conversa Com os Pais”…

– Encontro de Pais –

“Disseram-me que a maternidade ia ser cor de rosa,  não disseram que seria rosa choque.”

O trabalho realizado na Estímulopraxis prioriza a relação e a cooperação com a Família. Com o objetivo de reforçar esta proximidade e dando resposta às sugestões e solicitações de algumas delas, decidimos avançar com este projeto, que visa promover momentos de partilha, reflexão e crescimento entre pais e técnicos.

Como ponto de partida, foram os próprios pais que foram trazendo aos técnicos a necessidade de criar estes encontros, pois apesar de existirem já vários grupos (p.e. em redes sociais), um grupo de presença física teria um impacto, compromisso e dimensão diferentes.

Com esta base, avançámos para a realização dos encontros, que foram decorrendo ao longo do ano letivo que agora termina, com uma periodicidade de dois em dois meses, sempre com o objetivo primordial da partilha entre pais, que têm o “papel principal” na condução destas conversas e das temáticas abordadas, com a colaboração e mediação dos técnicos presentes. 

No primeiro encontro as famílias consideraram a concretização destes encontros uma mais valia, sobretudo pelo sentimento comum a todos de viverem sozinhas as suas próprias histórias, sendo muitas vezes pouco compreendidos nos diferentes ambientes do dia a dia, e referiram encontrar nestes encontros a possibilidade de ter contacto com famílias que vivenciam percursos semelhantes, com as quais se identificam e mais facilmente se compreendem entre si. Também tendo em conta este sentimento de empatia com determinadas situações que se vão partilhando, os pais deixam de lado sentimentos de julgamento e solidão, muitas vezes impeditivos de uma exposição mais saudável das suas vivências.

Outras das temáticas abordadas nesta sessão inaugural, foram a confidencialidade, o papel dos técnicos mediadores, a identificação de situações semelhantes “às minhas”, a partilha de estratégias e soluções, que foram identificadas como sendo precisamente alguns dos pontos fortes destes encontros de pais. Por outro lado a questão da exposição da minha vivência, a dificuldade em reviver experiências negativas e a existência de diferentes problemáticas, podem ser alguns dos pontos mais difíceis de trazer para as sessões em grupo mas que em conjunto e respeitando sempre a individualidade de cada um, serão ultrapassados.

Num segundo encontro foram abordados os desafios no caminho da parentalidade, levando os pais presentes a refletir sobre a parentalidade ideal e a parentalidade real. Um encontro onde as expectativas para a parentalidade de cada um, foram confrontadas com a parentalidade que vivenciam em cada dia, onde sem dúvida tiveram que existir adaptações face a situações que nunca tinham sequer equacionado. Através da partilha do expectável e do real cada pai colocou um peça de um caminho, que muitas vezes os próprios filhos percorrem, no sentido de todos os caminhos terem obstáculos, curvas, avanços e retrocessos, mas onde cada desafio pode ser encarado como uma peça essencial do caminho a percorrer e dos diferentes papéis que assumimos na nossa vida, seja no nosso caminho individual, como casal, como pai/mãe e até como profissional.

Num outro encontro mantendo-se o pensamento nos desafios do caminho da parentalidade, procurou-se explorar mais o futuro, numa perspetiva positiva, no sentido de trazer algumas soluções para as principais preocupações dos pais presentes, para os quais o futuro é por si só, uma enorme preocupação. Neste encontro tivemos presente uma mãe e cuidadora informal, que partilhou o seu caminho e que nos trouxe algumas das respostas e apoios sociais que existem para as crianças e jovens com necessidades especiais, bem como para os pais. Mais uma vez tivemos um encontro onde a simples partilha de cada história e das soluções e estratégias de cada pai se revelaram muito enriquecedoras para todos.

Aproveitamos para agradecer a presença de cada uma das mães e pais presentes e reforçar o crescimento que foi conseguido através das vossas partilhas.

Boas férias a todos, cheias de bons momentos e muitas recordações!

Daniela Pereira

Diogo Pinheiro

Sandra Antunes

Massagem para bebés

O toque é a primeira forma de comunicar com o bebé.
Os pais instintivamente tocam no bebé para o conhecer melhor. Este curso tem como objectivos gerais melhorar a Interacção pais-filhos, Estimular os diferentes sistemas fisiológicos e os diferentes sentidos sensoriais, Aliviar a dor/tensão e Relaxar.
O curso é destinado a pais com bebés até aos 12 meses, com a periodicidade de 1 vez por semana, tendo cada sessão a duração de uma hora.

Método Perfetti

-Um complemento à intervenção terapêutica da Estimulopraxis-

O que é?

O Método Perfetti é um método de reabilitação criado pelo neurologista Carlo Perfetti e seus colaboradores, em Itália nos anos 70, estando sempre em paralelo com a evolução ao nível das neurociências. Este método pode ser também designado – Exercício Terapêutico Cognitivo.

O método tem como base a Teoria Neurocognitiva, onde o Exercício Terapêutico Cognitivo, permite a recuperação ou estimulação do movimento através da ativação dos processos cognitivos, que lhe estão associados. Neste sentido, a hipótese de intervenção desta teoria, é que a qualidade da recuperação ou estimulação do movimento, tanto espontânea como orientada pelo terapeuta, depende diretamente do tipo de processos cognitivos (percepção, atenção, memória, linguagem, imagem motora, raciocínio, etc.) que são ativados e do seu modo de ativação.

Este método não considera o movimento como uma simples contração muscular, mas sim o resultado de uma ativação muito mais complexa que nasce no cérebro. Desta forma, o processo terapêutico, não é centrado apenas no músculo (reforço muscular), mas também tem em conta todos os processos a nível cerebral que são essenciais para a concretização desse movimento. A recuperação ou estimulação do movimento, depende em grande parte dos processos cognitivos responsáveis ​​por essa organização.

Método Perfetti em Neuropediatria

Ao Dr. Perfetti, juntaram-se profissionais especializados no desenvolvimento infantil, como a Dr. Puccini e a sua colaboradora Ise Breghi, que desenvolveram o Exercício Terapêutico Cognitivo  na área da Neuropediatria, em Pisa.

O processo terapêutico com crianças, parte da abordagem de que a criança é um ser intencional, ou seja a criança organiza a sua interação com os outros e com os objetos para adquirir conhecimento. Desta forma não é possível separar os aspectos cognitivos e motores no desenvolvimento infantil, pois o movimento é considerado como um meio pelo qual a criança adquire consciência do seu próprio corpo e do mundo que a rodeia.

A terapia com este método consiste em realizar exercícios onde o terapeuta sugere à criança, que interaja com um objeto ou com uma pessoa, por forma a reconhecer uma textura, uma forma, uma expressão, um movimento ou posição do corpo, entre outras informações. Para que este processo seja possível, a ativação dos processos cognitivos e a modificação do próprio corpo é essencial.

Ao longo do processo terapêutico está sempre presente o desenvolvimento cognitivo e sensório-motor, estimulando o seu desenvolvimento e prevenindo possíveis complicações.

O processo terapêutico recai sobretudo na estimulação do sistema funcional da visão, vestibular, manipulação e locomoção, onde  os exercícios adaptam-se às características de cada criança para alcançar uma aprendizagem gradual, no qual emergem todas as suas potencialidades.

Tendo por base uma avaliação inicial, onde a família tem um papel essencial, o objetivo é sempre facilitar a capacidade de a criança ter um melhor desempenho nos diferentes contextos, onde a capacidade de adaptação é um elemento-chave para a elaboração de comportamentos complexos. À criança são dadas continuamente estratégias que permitem a aquisição de novos conhecimentos durante a sessão e que podem ser transportados para os seus contextos.

Para Quem?

  • Perturbações do desenvolvimento: alterações no equilíbrio; alterações na coordenação motora; dificuldades na manipulação; dificuldades na marcha; etc.;
  • Alterações neurológicas: Paralisia Cerebral e alterações cerebrais adquiridas; espinha bífida e lesão da medula espinhal; doenças neuromusculares; etc.
  • Problemas traumatológicos e ortopédicos: torcicolo e plagiocefalia, alterações na coluna vertebral (cifose e escoliose), nos membros superiores ou inferiores (displasia da anca, joelhos em valgo ou varo, pé equino ou chato); malformações congénitas e amputações;
  • Síndromes genéticas.

Dra Daniela Pereira

Técnica Superior de Reabilitação Psicomotora