Protocolo em Terapia Intensiva para Reabilitação Neurológica em PediaSuit

Em 2018 a Estimulopraxis terá mais uma resposta a dar às suas famílias – o Protocolo em Terapia Intensiva para Reabilitação Neurológica em PediaSuit, que está inserido no Programa de Reabilitação Infantil – Re(Habilitar) para Crescer.

O que é o Protocolo Pediasuit?

Protocolo Pediasuit é uma abordagem terapêutica baseada num programa de exercícios específicos e intensivos que ajudam a minimizar reflexos patológicos e a estabelecer novos padrões de movimento corretos e funcionais. ​

O Protocolo PediaSuit utiliza diversas ferramentas:

- uma ortótese dinâmica, chamada SUIT, é um fato criada nos anos 70 por cientistas russos para uso dos astronautas, uma vez que os mesmos chegavam do espaço com dificuldades motoras, perda de movimentos, de massa muscular e com uma estrutura óssea alterada. O Suit é composto por colete, touca, calções, joelheiras, sapatos e um sistema de elásticos ajustáveis, que desempenha um papel crucial na regulação do tónus muscular, na função sensorial e vestibular;

- A ABILITY EXERCISE UNITY (gaiola – permite ganhar amplitude de movimento, flexibilidade dos músculos e articulações, bem como competências funcionais), o MONKEY (sistema de roldanas – para fortalecimento muscular específico) e o SPIDER (sistema de elásticos – facilita o controlo postural, com grau de sustentação variável de acordo com a actividade e função trabalhada), que são usados para aumentar a capacidade de isolar os movimentos desejados e fortalecer os grupos musculares responsáveis por esse movimento, além de criar inúmeras possibilidades de exercícios e uso de diversos materiais para o incremento do programa de tratamento.

Objetivos

O Protocolo Pediasuit tem como principal objetivo maximizar as funções da criança até se explorar todo o seu potencial, permitindo a cada criança vivenciar e aprender competências, que apenas são possíveis com facilitadores como as ferramentas deste Protocolo. Através desta abordagem terapêutica é possível a promoção não só do desenvolvimento motor, mas também cognitivo e comportamental.

Intervenção

O Protocolo Pediasuit consiste numa terapia intensiva realizada nas instalações do Centro Estimulopraxis, cada ciclo de Terapia Intensiva Pediasuit tem a duração de  4 semanas com intervenção de 4 horas diárias, ou 5 semanas de intervenção com 3 horas diárias.

Destinatários

O Protocolo Pediasuit está direcionado para crianças, adolescentes e adultos com patologias neurológicas, como Encefalopatia Crónica da Infância (anteriormente designada como Paralisia Cerebral), Atraso no Desenvolvimento Global, lesões traumáticas cerebrais, Perturbação do Espectro do Autismo, AVC’s e outras condições que afectam o desenvolvimento motor e/ou funções cognitivas. ​O elemento chave é um programa de tratamento estabelecido para a criança, adolescente ou adulto com base nas suas necessidades individuais.

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Fisioterapia Pediátrica

A Fisioterapia é uma ciência ligada à área da Saúde que tem como intuito diagnosticar, tratar e prevenir qualquer tipo de condição clínica ligada a uma disfunção de movimento. Tendo sempre como  objectivo o  aperfeiçoamento das capacidades físicas do indivíduo, de forma a que este adquira a melhor qualidade de vida possível, segundo os seus objetivos pessoais.

Tendo como base o referido anteriormente, na área pediátrica pretende-se acompanhar, também, todo o processo de crescimento e desenvolvimento da criança, de uma forma global.  Assim, para além da componente física, acompanha-se também a vertente emocional, psicológica e cognitiva. Devido à sua complexidade, aborda-se uma ampla e complexa rede de condições clínicas, sendo por isso necessário aprofundar conhecimentos direcionados a esta mesma área, sempre com o intuito de uma intervenção o mais eficaz e eficiente possível.

O fisioterapeuta tem como função avaliar e detetar qualquer tipo de alteração motora ao longo da sua intervenção, de modo a adaptar-se ao desenvolvimento e às necessidades da criança. Atua em diversas valências tais como: a musculo-esquelética (traumatismos, fraturas, entorses, torcicolos), alterações do foro neurológico (síndromes, alterações de recrutamento motor, distrofias, entre outras) e, ainda, condições cardio-respiratórias (infeções e outro tipo de insuficiências).

A sua intervenção, no que se refere ao trato com a criança, torna-a bastante peculiar, pois é necessário não só ganhar a sua confiança como também captar a sua atenção, de modo a que esta realize as atividades e tarefas propostas. Para tal, recorre-se ao uso de jogos e brincadeiras adaptados às necessidades e possibilidades da criança.

A relação do fisioterapeuta com a criança passa também pela sua família, cuidadores e todos aqueles que fazem parte do seu dia-a-dia.  Estes, na maioria dos casos, procuram apoio informativo e até mesmo emocional, tentando encontrar a melhor forma de interagir, estimular e conviver com a criança.

O trabalho deste profissional não é realizado de uma forma individualista, envolve toda uma equipa multidisciplinar, composto não só por profissionais de saúde, mas também por auxiliares, cuidadores e professores. Sendo que a criança é um ser humano que vai crescendo num todo, influenciado pelo meio que a rodeia, é de maior interesse procurar envolver todo o seu ambiente trabalhando em conjunto para uma melhor qualidade de vida desta mesma criança.

Dra. Madalena Pires

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O tempo livre e as crianças

Todos os dias ouço crianças com queixas relativas à inexistência de algo interessante para fazer, tudo é uma grande “seca” a menos que exista um qualquer gadget por perto. E se, por um lado, as férias são tão almejadas, por outro, constituem-se como um período de grandes vazios.

Gostaria de resumir aqui uma história da Sophie Carquain (inCent histoires du soir, 2000) que me parece traduzir o que se passa com muitas crianças. Esta história chama-se “A criança-que-se-aborrece e a criança-que-brinca-sozinha” e começa assim:

“Era uma vez uma criança que se aborrecia. Aborrecia-se no cinema, na ginástica, na bicicleta, nas férias, na escola, a trincar um biscoito, a chupar um gelado, a jogar xadrez, dominó, Playmobil… Por isso lhe chamavam a criança-que-se-aborrece. A criança-que-se-aborrece ficava num canto do quarto, com os braços cruzados, a suspirar o dia todo. De vez em quando, divertia-se um quarto de segundo: quando um robô glutão devorava um exército de seiscentos homens; quando um tiranossauro perseguia, com os dentes todos arreganhados, um dinossauro; quando traziam o seu bolo de aniversário cheio de velinhas acesas; sempre que rasgava o papel de embrulho dos presentes de Natal. Eram momentos em que o seu coração batia mais forte. Durante um minuto, não se aborrecia. Mas, logo voltava a suspirar.

— Como este robô glutão me aborrece…. Como estes animais me enfadam…. Quando é o meu próximo aniversário?”.

Esta é uma história que se repete inúmeras  vezes, um pouco por todo o lado. Crianças que têm necessidade de novidades constantes, que não sabem ou não conseguem brincar sozinhas, dependentes de uma estrutura ou guião para não se sentirem perdidas. Muitas vezes parecem ter “enclausurada” a sua criatividade num baú e não encontram a chave. Também elas ficam reféns nesse baú, sem possibilidades de se expressarem, de fantasiar, imaginar ou criar.

Como todas as histórias, esta também tem uma segunda e uma terceira parte:

“Um dia, porém, aconteceu algo surpreendente. Quando estava sentada no banco de uma praça, com os braços cruzados, a criança-que-se-aborrece reparou num rapazinho que brincava na relva. Era a criança-que-brinca-sozinha. Os olhos dela brilhavam e tinha um sorriso no canto do lábio. O mais interessante é que brincava com uma caixa vazia. A criança-que-se-aborrece aproximou-se. — O que estás a fazer? — perguntou, num tom desdenhoso. — Estou a brincar, estou a divertir-me, não vês?— É impossível — tornou a outra, num tom de voz enervado. — Ninguém se diverte com uma caixa vazia. A criança-que-brinca-sozinha não disse nada e voltou a abrir a caixinha. — Isso não passa de uma caixa de queijo velha e vazia! Uma caixa nojenta! — choramingou a criança-que-se-aborrece. — Talvez seja uma caixa velha e nojenta, mas não está vazia — continuou a outra. — Há sete elefantes a guardá-la, porque os leões vão chegar à Savana. Fechou a caixa. — Fechei-a para que eles não fujam. Agora são meus prisioneiros. Também lá estão dentro dez pelicanos. Estás a vê-los com o bico comprido e a sua pequena bolsa? Nunca conseguirás adivinhar tudo o que esta bolsa contém: um cobertorzinho de lã para o Inverno, um despertador para se levantarem de manhã, e três pelicanos bebés! A criança-que-brinca-sozinha disse para consigo: — Uma bolsa assim é muito prática. Os pelicanos têm uma bolsa, eu tenho uma caixa. Vou fechá-la agora, porque ouço um exército de leões a aproximar-se. E revirou os olhos. — Os leões adoram os pelicanos. — Ai, sim? — perguntou a criança-que-se-aborrece. — Sabia que comiam gazelas, veados e girafas. Mas nunca li que comiam pelicanos…. — Eu também não, mas não é difícil de imaginar — tornou a outra. — Sou eu que invento tudo isto. É preciso proteger os pelicanos a todo o custo. E fechou a caixa. — Enganei-os bem! Os leões já se foram embora. E pôs-se a rir sozinha. — Se abrir agora a caixa, voarão para o céu. Olha! Já estão a sobrevoar o Oceano, com os bebés dentro da bolsa. Estão todos contentes! E a criança-que-se-aborrece ergueu a cabeça, maravilhada, embora não visse nada. — Dentro da minha caixa, ainda há muitas outras histórias — continuou a criança-que-brinca-sozinha. — Há três milhões de ideias, cento e cinquenta biliões de pelicanos! E os seus olhos brilhavam. A criança-que-se-aborrece sorriu. Compreendeu que, com caixa ou sem caixa, havia milhões de brinquedos dentro da cabeça de uma criança. Percebeu isto tão bem que disse à outra: — Acho que a tua caixa funciona como a tua cabeça. Podes abri-la e podes fechá-la, e fazes o que queres com ela! — Mas tu podes fazer o mesmo! — encorajou-a a criança-que-brinca-sozinha. — Só precisas de uns pozinhos mágicos. E, com muita delicadeza, virou a caixa de pernas para o ar, fez um passe de magia, e reabriu-a. — Dá-me a tua mão — pediu. A outra assim fez. — Estás a ver, aqui estão uns pozinhos da minha caixa mágica. Deita-os na tua caixa, esperas um dia e uma noite, e aparecem-te fadas, reis, salteadores, dinossauros, tudo o que tu quiseres. Nunca mais te sentirás aborrecida. E começaram as duas a rir e a inventar histórias”.

É isto! Todas as crianças têm milhões de brinquedos dentro da sua cabeça e se conseguirem partilhar com outras crianças esses brinquedos duplicam e triplicam…

Esta missão será facilitada se as crianças tiverem oportunidade de olhar, sentir, provar, ouvir e experimentar muitas e variadas experiências mas também se lhes for dada a oportunidade de gerirem o seu próprio tempo de lazer livremente, sem objetivos específicos, sem metas ou competências a melhorar, com a corda solta para a imaginação voar…

Dra Lídia Martins

Técnica Superior de Reabilitação Psicomotora

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